Resultados de um programa de gestão de antimicrobianos em um hospital de médio porte no Vale de Itajaí
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2026.171.1451Resumo
Objetivos: A resistência antimicrobiana é um grande desafio na área da saúde, pois reduz a eficácia do tratamento e aumenta os riscos de infecção. Os programas de gerenciamento de antimicrobianos (PGA) visam otimizar o uso de medicamentos e conter as bactérias resistentes. Este estudo avalia o efeito da implementação de um PGA em um hospital de ensino de médio porte no sul do Brasil, analisando as mudanças no consumo de antimicrobianos por meio da dose diária definida (DDD) e dos dias de terapia (DOT). Métodos: Este estudo analisa retrospectivamente os dados dos prontuários eletrônicos de setembro de 2023 a setembro de 2024 em três áreas de assistência: Unidade de Terapia Intensiva (UTI), clínica médica e clínica cirúrgica. Os dados foram comparados entre os períodos pré e pós-implementação do PGA usando o teste de Mann-Whitney. Resultados: Após a implementação do PGA, observaram-se reduções significativas no uso de carbapenêmicos, na UTI (13,0%) e na clínica cirúrgica (68,5%), bem como de fluoroquinolonas na UTI (41,4%). Em contrapartida, as penicilinas combinadas com inibidores da β-lactamase aumentaram substancialmente na clínica médica (115,3%), sugerindo uma mudança terapêutica para agentes mais seguros. As cefalosporinas de quarta geração e os glicopeptídeos apresentaram aumentos localizados consistentes com a racionalização da terapia empírica e direcionada. Para esses agentes, houve uma redução de 11,3% na DDD na UTI (11,3%), enquanto houve aumentos na clínica médica (18,7%) e na Clínica Cirúrgica (3,1%). Conclusão: A implementação do PGA modulou efetivamente o consumo de antimicrobianos, reduzindo o uso de agentes de amplo espectro de alto risco e promovendo alternativas racionais. Esses achados demonstram que os PGAs podem produzir benefícios mensuráveis mesmo em ambientes hospitalares com recursos limitados, reforçando a necessidade de vigilância contínua usando indicadores DDD e DOT para sustentar o progresso contra a resistência antimicrobiana.
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