Utilização de registros de dispensação de inibidores de tirosina quinase como indicador de não adesão ao tratamento da leucemia mieloide crônica
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2026.171.1432Resumo
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar a regularidade das dispensações de inibidores de tirosina quinases (ITQ) e os fatores associados ao tratamento da leucemia mieloide crônica (LMC) em um centro de referência em hematologia no estado do Rio de Janeiro, Brasil. Métodos: Este estudo observacional, descritivo, transversal e retrospectivo analisou dados de dispensação de medicamentos na farmácia de 173 pacientes em uso de dasatinibe ou nilotinibe por pelo menos seis meses, bem como daqueles que estavam em tratamento com imatinibe, mas mudaram para outra linha terapêutica durante o período do estudo, de 2019 a 2022. Dados sociodemográficos e relacionados ao tratamento foram coletados a partir dos prontuários eletrônicos do sistema da instituição. Resultados: Considerando adesão como posse de medicamento superior a 90%, a adesão foi de 74% em 2019, diminuiu em 2020 e 2021 e voltou a subir em 2022, atingindo 66%. Discute-se que o impacto negativo da pandemia de COVID-19 sobre a adesão foi compensado por medidas administrativas que ampliaram a posse de medicamentos. Por meio de análises bivariadas, observou-se que homens e indivíduos que residiam mais próximos à unidade dispensadora apresentaram o dobro de chances de adesão. Conclusão: O uso de dados de registros de medicamentos para aplicação deste e de outros indicadores de persistência e adesão em doenças crônicas, incluindo a LMC, vem sendo amplamente adotado e pode atuar como facilitador nesse processo.
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