Avaliação de prescrições de alta hospitalar: estamos favorecendo o acesso aos medicamentos?
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2026.171.1427Resumo
Objetivos: Avaliar o acesso, na rede pública, dos medicamentos prescritos na alta hospitalar de pacientes internados na unidade de emergência de um hospital de ensino de alta complexidade, além de analisar a atuação do farmacêutico nas orientações de alta. Métodos: Trata-se de um estudo transversal retrospectivo que avaliou 1.068 prescrições eletrônicas de alta emitidas no ano de 2023. Os medicamentos foram classificados segundo os componentes da assistência farmacêutica e confrontados com as listas municipais de medicamentos essenciais. Foram considerados não acessíveis os itens ausentes nas listas, sujeitos a restrições incompatíveis, prescritos por nome comercial ou, no caso do componente especializado da assistência farmacêutica, sem laudo de solicitação. Avaliou-se ainda a dispensação feita no Hospital-Dia e a ocorrência de orientações farmacêuticas na alta hospitalar. Resultados: Foram analisados 4.229 medicamentos. Do total, 45,45% estavam inacessíveis, sobretudo por ausência nas listas municipais (81,22%), restrições incompatíveis com a dispensação (9,52%) ou falta do laudo (7,96%). A falta de acesso foi maior em prescrições para uso “se necessário” ou uso pontual, enquanto no componente especializado predominou em medicamentos de uso contínuo. Observou-se grande variabilidade no acesso entre municípios de origem, sem linearidade com porte populacional ou PIB per capita. O hospital-dia supriu apenas 2,9% dos itens não acessíveis. Orientações farmacêuticas foram registradas em 12 altas (1,1%), embora 23% dos pacientes estivessem em polifarmácia. Conclusões: O estudo mostra elevada falta de acesso à medicamentos na alta hospitalar, revelando necessidade de avanços no acesso e no fortalecimento da atuação farmacêutica, tanto na comissão de farmácia e terapêutica quanto na clínica.
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