Problemas relacionados a medicamentos identificados no acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes internados em um hospital universitário
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2025.164.1360Resumo
Objetivo: Analisar os problemas relacionados a medicamentos (PRM) identificados a partir do acompanhamento farmacoterapêutico (AF), realizado por residentes de farmácia, de pacientes hospitalizados em unidades de internação de um hospital universitário. Métodos: Estudo transversal descritivo, realizado entre agosto e dezembro de 2024, em um hospital universitário de alta complexidade da cidade do Rio de Janeiro. Os dados foram obtidos do AF de pacientes da clínica médica e geriatria, realizado por residentes de farmácia entre janeiro de 2022 e dezembro de 2023. Os PRM identificados foram registrados em formulário específico do AF. Posteriormente, foram compilados em planilha online do Google Drive e codificados conforme o método da Sociedade Francesa de Farmácia Clínica. Foram incluídos no estudo os formulários de AF que continham pelo menos um PRM identificado e excluídos aqueles com falhas no preenchimento que comprometessem a análise final. Os medicamentos foram codificados conforme o primeiro nível (grupo anatômico principal) e quinto nível (substância química) do código Anatomical Therapeutic Chemical (ATC). A análise da estatística descritiva dos dados foi realizada em planilha online do Google Drive. Resultados: De 469 pacientes acompanhados no período, 183 apresentaram pelo menos um PRM identificado. Um total de 339 PRM foram identificados, com média de 1,8 por paciente, e foram alvos de intervenção no AF. Após intervenção farmacêutica, 61,9% dos PRM foram resolvidos. A “indicação não tratada” foi o principal PRM (45,1%), seguido da “administração inapropriada” (18,9%) e da “sobredose” e (14,7%). Considerando o código ATC, a maioria dos medicamentos fazia parte do grupo “trato alimentar e metabolismo” (30,4%), tendo o omeprazol como o seu principal representante (18,4%). O Segundo grupo mais frequente foi o “sistema nervoso” (19,5%), representado principalmente pela dipirona (27,3%); seguido do “grupo sangue e órgãos hematopoiéticos” (17,4%), com a enoxaparina (50,8%) como o principal medicamento. Conclusões: Os dados mostraram que o AF é um serviço capaz de identificar PRM durante a internação e apontam para a contribuição do farmacêutico no uso racional de medicamentos. Os dados apresentados poderão auxiliar nas estratégias institucionais voltadas para os PRM de maior risco. Por fim, sugere-se estudos que avaliem os desfechos clínicos dos PRM identificados.
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