Notificações de incidentes de segurança relacionados ao docetaxel genérico e referência em um hospital de ensino
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2025.164.1223Resumo
Objetivo: Comparar as notificações de incidentes associados ao docetaxel genérico e de marca ou de referência em um hospital universitário brasileiro e analisar os dados de farmacovigilância envolvendo este fármaco em um hospital universitário. Métodos: Foi conduzido um estudo transversal em um hospital universitário brasileiro de alta complexidade. Foram incluídos dados de paciente com idade igual ou superior a 18 anos. Analisou-se incidentes associados ao docetaxel 80 mg notificados no banco de dados de farmacovigilância do hospital citado, de 1º de janeiro de 2018 a 31 de dezembro de 2020. Notificações de reações adversas a medicamentos (RAM), inefetividade terapêutica, erros de medicação e desvios de qualidade (DQ) foram consideradas. Ademais, calculou-se a taxa de subnotificação de RAM tardia. Para a análise descritiva, foram utilizados o número de casos e porcentagens para variáveis categóricas, e a média e o desvio padrão (DP) para variáveis contínuas. Resultados: Foram registadas 124 notificações de incidentes relacionados com agentes quimioterápicos. Entre estes, 34 (27,4%) estavam associados ao docetaxel. Dois envolveram o medicamento genérico, enquanto 32 foram associados ao medicamento de referência. A despeito de haver uma equipe multiprofissional consolidada no setor de oncologia, os notificadores mais frequentes foram os enfermeiros (26/34). As notificações descreveram 35 incidentes: 21 RAM (10 imediatas e 11 tardias) e 14 DQ. Nove notificações de RAM imediatas, 11 de RAM retardadas e 12 de DQ estavam relacionadas com medicamentos de marca. A taxa de subnotificação foi de 93,0%. Conclusão: A subnotificação limitou a comparação dos incidentes associados ao docetaxel genérico e de marca na base de dados da farmacovigilância. A falta de comunicação relacionada à segurança dos medicamentos diminui a deteção de sinais e compromete a tomada de decisões com base em dados do mundo real. Nesse sentido, os achados sugerem a necessidade de intervenções educacionais para os profissionais de saúde, a fim de melhorar as atitudes em relação à farmacovigilância.
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