Cuidados paliativos pediátricos em interface com serviço de farmácia clínica: análise do cenário em um Hospital Universitário da Bahia
DOI:
https://doi.org/10.30968/jhphs.2025.164.1178Resumo
Objetivos: Analisar o cenário de atividades farmacêuticas em Cuidados Paliativos desenvolvidas em um Centro Pediátrico de Hospital Universitário em Salvador, Bahia. Métodos: Trata-se de um estudo transversal descritivo, realizado a partir das informações presents em prontuários durante o período de junho de 2018 a junho de 2020. Desde que acompanhados pelo Serviço de Farmácia Clínica, os pacientes elegíveis aos Cuidados Paliativos foram caracterizados quanto à idade, sexo e doença principal. As condutas Farmacêuticas foram categorizadas, e, se intervenções, foram associadas ao respectivo Problema Relacionado a Medicamento (PRM). Os medicamentos foram classificados mediante Anatomic Therapeutic Chemical, sendo indicado se decorreu de uso off-label. Resultados: Dos 370 pacientes selecionados, 31 foram incluídos no estudo, pois tiveram acompanhamento clínico do farmacêutico. Destes, 17 (54,83%) eram de sexo masculino, com idade média de 6,19 anos, variando de 10 dias a 18 anos. Os diagnósticos mais frequentes foram de doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas (8; 25,80%). As condutas farmacêuticas compreenderam detecção de eventos adversos (12; 19,04%), monitoramentos adicionais (2; 3,17%), orientações à família ou equipe (13; 20,63%) e intervenções (36; 57,14%). As intervenções estavam relacionadas principalmente à segurança (13; 36,11%). Dos medicamentos prescritos, 91 (23,09%) foram sistematizados em trato alimentar e metabolismo na ATC, seguidos de sistema nervoso (85; 21,57%) e antimicrobianos para uso sistêmico (61; 15,48%). Foram identificados 30 itens prescritos de forma off-label, sendo que 3 estavam associados a suspeitas de reações adversas. Conclusões: O estudo identificou cobertura limitada do serviço farmacêutico, abrangendo 8,37% da população analisada. Esses resultados destacam a relevância de ampliar a integração do farmacêutico às equipes multiprofissionais de Cuidados Paliativos, de modo a promover a qualidade de vida desses pacientes. Pondera-se que, se tratando de uma pesquisa documental, há vieses de memória e registro que devem ser considerados. Espera-se que esses resultados fomentem melhorias, desde a oferta de qualidade de vida digna a partir do diagnóstico, unindo vozes para que essa ciência deixe de ser, além de subutilizada, um sinônimo para o fim da vida.
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